O que encontramos em cada cerveja?

O beer king adverte: este texto é MUITO doido.

Toda semana, quatro amigos se encontravam para beber, conversar, e aprender. O encontro era sempre na casa de um deles, sendo que cada um sempre levava uma cerveja diferente, para regar suas imaginações e atiçar a inspiração nas reuniões.

O sonho desses quatro amigos era produzir sua própria cerveja, mas temiam não entender o bastante sobre o assunto ou não ter recursos o suficiente.

Certa vez, com o intuito de dividir experiências, se divertir, e aprender, convidaram um senhor, ex dono de uma cervejaria do interior de São Paulo, para seu encontro.

Era um senhor de mais idade, com fortes cicatrizes no olhar, provavelmente deixadas por uma vida muito batalhada e sofrida. Era muito simpático, todavia. Tinha a voz suave, e um jeito alegre de falar.

Era o jeito de alguém que tinha lutado muito, mas tinha conseguido o que queria, e encontrado então, a paz de espírito.

O jeito de alguém que tinha muita coisa a agregar em uma conversa com quatro inexperientes amigos.

Nesse encontro – nesse específico dia em que havia um convidado – o grupo dialogava sobre a capacidade de comunicação que as imagens dos rótulos das cervejas têm, e sobre o que, de fato, se encontrava em cada cerveja depois de aberta e derramada na boca. Eis que lhes descrevo a conclusão desse papo:

As roupas que usamos, nossas expressões, obras de arte, nossos lares ou ambiente de trabalho: todas essas fotografias nos transmitem uma mensagem. Que mensagem?

Alguns dizem que a mensagem é uma e, alguns dizem que a mensagem é outra, logo, a interpretação faz parte do processo conclusivo.

Por vezes, ainda, aquele que quer passar a mensagem quer comunicar algo totalmente diferente do que está sendo interpretado e concluído por quem a recebe. Ou seja: As possibilidades de conclusão são infinitas.

Quando um grupo de pessoas é questionado sobre o que uma imagem de um quadro abstrato significa, todos chegam a conclusões diferentes.

Cada um, com seu passado, suas histórias, sua natureza, sua percepção, perspectiva, crenças, descrenças, cultura e ciência, tem a sua visão de mundo, e seus próprios, diferenciados, e subjetivos sentidos.

Por mais que os sentidos sejam os mesmos em todos nós, eles trabalham de maneiras diferentes, e nosso cérebro nos traduzem informações ainda diferentes do que as informações captadas pelos nossos sentidos.

Ao contrário do que muitos pensam, não adaptamos nossos sentidos ao mundo em que vivemos, mas sim adaptamos o mundo ás nossas sensações de realidade. Caso contrário, teríamos aprendido a conviver com a natureza ao invés de modificá-la.

Mais do que falar, tudo o que entra em contato com nossos cinco (alguns dizem seis) sentidos (olfato, tato, paladar, audição, e visão), nos diz alguma coisa. A nós, só cabe querer captar e interpretar.

E, cabe a nós mesmos imaginar e construir o que queremos entender. Logo, cabe a nós imaginar e construir o mundo que queremos viver.

Muitos falam, poucos dizem alguma coisa, e pouquíssimos tem a capacidade de dizer o que se quer ouvir.

Muitos olham, poucos enxergam, e pouquíssimos processam e inventam a realidade que desejam ter como realidade. Naturalmente, como seres inteligentes, enxergamos e nos tornamos o que queremos, assim inventamos o mundo.

Alguém, um dia, disse: “A imaginação é mais importante que a ciência, porque a ciência é limitada, ao passo que a imaginação abrange o mundo inteiro.” – Albert Einstein. Alguém, então, respondeu: “Devemos ser a mudança que queremos ver no mundo.” – Gandhi.

Mas resumindo… o que, de fato, encontramos, a cada nova cerveja que abrimos, ou a cada novo gole que tomamos?

Em cada gole, de cada cerveja, encontre o que quiser.

Ricardo Augusto Grasel Matos, Eng°. Agrônomo, Homebrewer e Sócio Gestor na empresa beer king