História: Introdução do lúpulo na cerveja

Desde a origem da cerveja, na Antiguidade, os cervejeiros usam aditivos para enriquecer o seu sabor, adicionar-lhe aromas, dar-lhe mais cor, aumentar seu teor alcoólico, conservar ou provocar seus efeitos inebriantes.

Mel, canela, açúcar mascavo, anis, gengibre, rúcula, alecrim, cravo e raízes em geral foram alguns dos ingredientes usados com essa finalidade ao longo do tempo.

A partir do século VIII, tornou-se comum em praticamente toda a Europa a utilização do uma mistura de ervas chamada de gruit, que continha alecrim, artemísia, aquiléa, urze e gengibre, para aromatizar, conferir um sabor especial e dar um toque levemente inebriante à cerveja.

O fornecimento dessa “poção mágica” – grui – durante e após o Império Carolíngio, era controlado de maneira rigorosa pelos governantes, que concediam licenças especiais para o plantio das ervas e sua comercialização. Alguns produtores do gruit acrescentavam outros aromas, como canela, anis, pétalas de margarida etc. para diferenciar seus produtos e atrair compradores.

foto de plantação de lúpulo
Plantação de lúpulo

O uso do lúpulo na produção de cerveja era comum dude o
século IX, mas o primeiro registro, escrito em plena Idade Média, está no livro Physica Subtilitatum, da monja beneditina alemã Hildegard von Bingen (1098-1179), a quem muitos autores chamam, equivocadamente, de Santa, embora nunca tenha sido canonizada.

Apesar do seu amargor e do seu efeito inebriante, o lúpulo foi
adotado porque suas propriedades de conservação foram logo percebidas.

Como o processo de fermentação não em controlado (aberto ao clima e sem controle de temperatura), a produção de cerveja nos meses quentes era muito difícil, pois as altas temperaturas aceleravam o trabalho dos micro-organismos presentes no ar e azedavam mais rapidamente o produto.

Portanto, qualquer ingrediente ou processo que ajudasse a conservar o produto por mais tempo seria um grande diferencial para os cervejeiros.

A inclusão do lúpulo não foi de fácil assimilação pelos consumidores, que levaram muitos anos para se acostumarem ao novo sabor.

Há controvérsias sobre as razões dessa mudança. A versão mais é que o sucesso do lúpulo se deveu à vantagem que a longevidade do produto dava a seus produtores.

Outra atribui o fato a uma decisão dos governantes para tentar diminuir o poder dos fabricantes de gruit, em sua maioria monastérios que não pagavam impostos.

Por volta do ano 1400, o lúpulo já era bastante difundido na Alemanha e nos Países Baixos.

E, apesar da resistência inicial, principalmente do Reino Unido, durante o século XV ele finalmente se impôs como conservante e aromatizante, em contraposição à grande variedade de ervas, flores, frutas, raízes, cascas e até hortaliças.

O que não impediu que algumas cervejas continuassem a receber a adição de frutas, mel e outras substâncias que lhes conferiram sabores e aromas diversos.

Fonte: Larousse da Cerveja – Ronaldo Morado.