Cerveja como antigamente

Fizemos uma cerveja para o segundo curso de produção de cervejas do beer king e, sem perceber, deixamos um pouco de mosto no fundo da panela de recirculação, em baixo do fundo falso (faltou inclinar a panela para retirar pela torneira esse “restinho”). Percebi só no final do dia quando a cerveja já estava no fermentador.

Não quis desperdiçar esse resto de mosto e acabei reservando em uma garrafa pet para reduzir e fazer um molho para ser utilizado em alguns pratos que faço em casa. Porém,  para minha alegria, deixei a garrafa pet no jardim e simplesmente esqueci de dar um uso gastronômico para o líquido.
Dias depois (aproximadamente 30 dias) a garrafa estava estufada (ou seja: fermentou). Imaginei que havia sido uma fermentação bacteriana e que o cheiro estaria terrível porém para minha surpresa, o que antes era mosto estava com aroma e sabor aceitáveis de cerveja! Creio que ocorreu fermentação de levedura (pelo cheiro e sabor), e pelo fato de a garrafa pet estar lacrada, o gás ficou retido no líquido. Como na recirculação ainda não há lúpulo (normalmente), essa “cerveja surpresa” ficou sem lúpulo.
Claro que não ficou uma cerveja excelente! Mas é interessante imaginar que foi justamente assim que a cerveja foi descoberta antigamente: percebendo que um “caldo nutritivo” de água e farinha,  depois de alguns dias no ambiente, tem seu estado natural alterado. De tanto analisar, repetir, estudar/controlar e melhorar esse processo chegamos a esse maravilhoso padrão altamente flexível da cerveja moderna.
Cheers!