Artesanal isso, artesanal aquilo… Mas o que é de fato “artesanal”?

Este texto visa esclarecer uma dúvida que, conforme temos visto em mesas de bares Brasil afora, confunde um pouco a compreensão das pessoas. Afinal, as cervejas artesanais, são artesanais mesmo? Feitas à mão? As cervejas premium são artesanais também? Porque tem gente que fala em “cervejas especiais” e “cervejas gourmet”? Qual a diferença desses termos?

Coloquemos os pingos no is:

  1. Cerveja Artesanal – Que é feita sem recurso ou meios sofisticados ou técnicas elaboradas ou industriais (Fonte: adaptado de http://www.dicionarioinformal.com.br/significado/artesanal/3384/)
  2. Cerveja Premium – De alta qualidade: cerveja premium. / De preço mais alto, especialmente por sua qualidade extra: gasolina premium (Fonte: http://www.significadodepalavras.com.br/premium)
  3. Cerveja Especial – Fora do comum, excelente, notável. (Fonte: adaptado de http://www.dicio.com.br/especial/)
  4. Cerveja Gourmet – Gourmet é o nome que se dá a uma cozinha ou alimento que está associado a uma ideia de alta cozinha, englobando cultura e arte culinária, e essa qualidade é reservada geralmente para pessoas que apreciam experiências avançadas e mais elaboradas. (Fonte: http://www.significados.com.br/gourmet/) (Fontes diferentes para tornar mais didático o que queremos passar).
Vamos
aos fatos:
  • Produção
    de cerveja, no Brasil, para comercialização, precisa seguir uma série de
    burocracias e exigências da Anvisa, Ministério da Agricultura, e outros órgãos.
    Fazendo uma análise resumida das consequências dessas exigências em uma planta
    fabril de cerveja, podemos dizer: fazer cerveja para fins comerciais de modo
    100% artesanal é praticamente proibido. Logo, se uma cerveja está à venda,
    muito provavelmente – se estiver 100% dentro da lei – ela não é 100% artesanal.
    Pode até ter um processo ou outro feito de maneira artesanal ou similar, mas de
    modo geral, não.
  • A
    palavra Premium é uma palavra de mercado, que remete ao preço alto e à
    qualidade acima da média do mercado. Há, porém, muitas cervejas que usam essa
    palavra em seus rótulos, mas não tem qualidade acima da média. Logo, essa
    palavra é perigosa, por sua banalidade. Outra incoerência em usar “premium” é
    que o preço dos chopes da microcervejarias é mais baixo que dos chopes de
    grandes cervejarias, enquanto a qualidade sensorial é inversamente proporcional
    ao preço.
  •  A
    palavra “especial” engloba tudo o que queremos dizer ao falar de uma cerveja
    diferenciada. Conforme o significado do dicionário, especial é algo “fora do
    comum, excelente e notável”. Essa palavra não remete a preço, ou outras
    variáveis.
  • A
    palavra gourmet é interessante, segundo seu significado. Mas ela assusta um
    pouco às pessoas que não conhecem as cervejas diferenciadas. Como a cerveja tem
    suas raízes no “povão”, e a ideia aqui é fazer amigos, e não assustá-los, elitizar
    ela não é uma ideia que nos agrada. Uma palavra mais simpática conquista muito
    mais adeptos.

 

Conclusões
do Beer King:
 
  1. Cerveja artesanal é a cerveja feita em casa, com o processo produtivo altamente
    dependente do artesão (ou homebrewer) e sem o uso de tecnologia muito avançada.
    É a famosa cerveja de panela.
  2. Para
    fazer referência a todas as cervejas que têm qualidade sensorial acima da
    média, o melhor mesmo é falar “especial”, pois englobamos, dessa maneira, as
    artesanais, importadas, nacionais de pequenas cervejarias ou grandes industrias,
    etc. Dessa forma, fica claro que a cerveja é “especial”, e ponto.
  3. Como
    não existe uma regra clara e todos os termos estão, em tese, corretos, para
    facilitar a comunicação vamos escolher o que mais nos agrada segundo o que foi
    exposto acima. Eis o veredicto: Cervejas Especiais!
  4. Se
    mesmo assim você não está satisfeito, e quer uma classificação mais precisa
    sobre o assunto, você pode checar o DECRETO Nº 6.871, DE 4 DE JUNHO DE 2009,
    que regulamenta a Lei no 8.918, de 14 de julho de 1994, que dispõe sobre a
    padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a produção e a
    fiscalização de bebidas. Uma dica: não fala nada sobre o que é premium ou não,
    artesanal ou não, e coisas do gênero. Fala mais sobre matérias primas, sobre
    cerveja “extra”, o que é considerado cerveja, etc.

 

 

Por Ricardo Augusto Grasel Matos, Eng°. Agrônomo,
Homebrewer, e Sócio  Gestor na empresa
Beer King.
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